Assim como na proposta sobre o regime geral, mudanças no tempo de contribuição e na idade mínima desconsideram especificidades das mulheres e vão agravar desigualdades

‘Reforma’ da Previdência retira direitos das pessoas com deficiência

Mudanças no tempo de contribuição e na idade mínima desconsideram condições específicas e vão agravar desigualdades

Redação RBA

São Paulo – As pessoas com deficiência terão acesso à aposentadoria dificultado caso a “reforma” da Previdência defendida pelo governo de Jair Bolsonaro entre em vigor. Entre outros pontos, a proposta iguala o tempo de contribuição entre homens e mulheres, com 20 anos de recolhimento para pessoas com deficiência grave, 25 em caso de moderadas e 35 anos para deficiência considerada leve.

Hoje, a concessão da aposentadoria para mulheres com deficiência tida como leve se dá com 28 anos de contribuição e, para homens, o tempo necessário é de 33 anos.

“Eu sou mulher e cadeirante. Se uma mulher, sem deficiência, já ganha menos que o homem, imagina eu?”, questiona a integrante da coordenação da Pastoral da Pessoa com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo Sandra Ramalhoso em entrevista à repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual, ao considerar as mudanças na Previdência como mais um fator de exclusão.

“Vejo como uma agressão específica até. A partir do momento que você inflige tal condição a um segmento da população, é porque essa população, no seu olhar, não é merecedora”, aponta Sandra. “Isso tudo (retirada de direitos) vai impedir que eu exerça a minha participação na sociedade.”

Para a professora do Centro de Estudos Sindicais e da Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Marilane Teixeira , assim como no regime geral, a proposta de Bolsonaro desconsidera as especificidades dessa população. “A reforma tem um objetivo muito claro: empobrecer a maioria da população, reduzir a expectativa das pessoas de ter acesso à aposentadoria e aos benefícios”, afirma.

Ouça a reportagem da Rádio Brasil Atual

Foto: Arquivo EBC

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