Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social elabora pauta de combate à PEC 6/2019

“Esse governo precisa entender que a Previdência não é do sistema financeiro, mas sim do povo brasileiro”, disse senador Paulo Paim (PT-RS)

Por Redação*

São Paulo – Foi lançada ontem na Câmara dos Deputados a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social. O ato contou com sindicalistas e especialistas que discutiram uma pauta conjunta de combate ao texto da PEC 6/2019, da “reforma” da Previdência.

O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz, afirmou que o governo está “mudando a regra do jogo” do sistema previdenciário para piorar a vida dos trabalhadores “O que o governo diz com a reforma é: ‘queremos gastar menos com vocês. Não queremos bancar. Queremos que essa parte da riqueza vá para os bancos, rentistas e ricos’”, afirmou.

“Esse governo precisa entender que a Previdência não é do sistema financeiro, mas sim do povo brasileiro. Eles dizem que essa reforma ataca os privilégios? Aonde? Eles na verdade querem atacar os direitos do povo brasileiro que deseja se aposentar”, afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos presidentes da Frente junto com deputado Bohn Gass (PT-RS).

Paim destacou ainda em sua fala que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux já falou que mudar o atual sistema de repartição para o de capitalização seria inconstitucional. O parlamentar defendeu uma grande mobilização popular para barrar a “reforma”, e elogiou os governadores do Nordeste por se posicionarem contra a PEC da Previdência. “Lamento que os governadores do Sul e do Sudeste tenha se manifestado a favor”, disse.

A PEC proposta pelo governo prevê a adoção de sistema de capitalização individual para quem ainda não ingressou no mercado de trabalho, um modelo que remete ao adotado no Chile na década de 1980.

Segundo o cientista político chileno Recaredo Galvez, o sistema de capitalização adotado em 1980 vinha com a promessa de que a capitalização permitiria financiar até 80% do último salário, o que não aconteceu. “Hoje estamos sofrendo um caos no sistema previdenciário”, disse. Pelos cálculos de Galvez, atualmente 86% dos homens e 95% das mulheres aposentados recebem quase a metade do salário mínimo chileno, cerca de R$ 1.712.”

*Com informações da Agência Câmara

Foto: Will Shutter/Câmara dos Deputados


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